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Antes da agência, a sala de aula

Eu sou designer. Mas também sou professor. Há 15 anos dou aulas de Design e Marketing, ministro cursos, faço palestras e, aqui na BaseDG, coordeno projetos de EAD que vão do roteiro à plataforma. A educação nunca foi só um segmento de mercado para mim. Sempre fez parte do meu trabalho.
Por isso, quando decidimos que a BaseDG passaria a concentrar sua energia em instituições de ensino, a decisão não saiu de uma planilha. Ela saiu de uma pergunta que me acompanha há anos, dentro e fora da sala: por que o setor que forma pessoas é um dos que menos investe na experiência dessas pessoas?
Este texto é a minha resposta. Tem dado, tem opinião e tem um pouco de história. E explica por que essa escolha foi intencional.

O que os números mostram (e o que eu vejo na prática)

A educação privada brasileira cresce em volume, mas perde muita gente no caminho. E boa parte dessa perda, na minha leitura, é um problema de experiência.
Indicador Número Fonte
Matrículas no ensino superior (2024) 10,2 milhões, 79,8% na rede privada Semesp
Participação do EAD nas matrículas de graduação 50,7%, maioria pela primeira vez MEC/Inep
Evasão anual na rede privada (2024) 26,6% no presencial, 41,9% no EAD Semesp
Desistência acumulada na rede privada (ciclo 2020 a 2024) 64,7% no total, 68,1% no EAD Semesp
Vagas da rede privada efetivamente ocupadas 23% Jeduca, a partir do Censo 2024
Concentração do mercado 1,4% das mantenedoras reúnem 47,1% dos alunos Semesp
Olhando esses dados com olhos de designer, vejo quatro atrasos que se repetem em faculdades, escolas e cursos.

Marca: todo mundo diz a mesma coisa

Faça um teste. Abra o site de cinco faculdades ou escolas da sua cidade. Excelência, tradição, formação para o mercado. As palavras mudam pouco, o visual muda menos ainda.
Isso tem custo. Num mercado em que poucos grupos concentram quase metade dos alunos, a instituição independente que não tem uma marca clara só tem um argumento sobrando: preço. E nessa briga ela perde para quem tem escala.

Marketing: campanha de matrícula não é estratégia

A maior parte das instituições que conheço só se comunica de verdade no período de matrícula. O tráfego pago roda sem mensuração por curso ou unidade, e a meta é volume de leads, não custo por matrícula.
Quando apenas 23% das vagas privadas são ocupadas, o problema não é falta de oferta. É falta de conexão entre o que a instituição entrega e o que ela consegue comunicar, o ano inteiro.

Tecnologia e UX: o aluno já é digital, a instituição nem tanto

Um dado me chamou atenção. Segundo a TIC Educação 2023, 96% das escolas estaduais têm diário de classe ou sistema de matrícula online. Entre as escolas particulares, são 76%. Em gestão digital, parte da rede privada está atrás da pública.
Do outro lado, os alunos já vivem outra realidade. Na TIC Educação 2024, 70% dos estudantes do ensino médio dizem usar IA generativa em pesquisas escolares. Só 32% receberam orientação da escola sobre isso. Portais confusos e comunicação espalhada entre WhatsApp, e-mail e papel completam o quadro.

EAD: cresceu rápido, mas cresceu mal

O EAD virou maioria, mas a evasão no EAD privado chegou a 41,9% em 2024, a maior da série histórica medida pelo Semesp. Muito conteúdo ainda é apostila em PDF com videoaula gravada em sala vazia.
E a regra mudou. O Decreto nº 12.456/2025 criou o formato semipresencial, vedou o EAD em cursos como Direito, Medicina, Enfermagem, Odontologia e Psicologia e exige atividades presenciais ou síncronas mesmo nos cursos a distância. As IES têm até maio de 2027 para se adequar. Quem tratou EAD como repositório de arquivos vai precisar redesenhar a oferta.

O Brasil em relação ao resto do mundo

Quando a gente compara com outros países, o atraso fica ainda mais claro. Segundo o Education at a Glance 2025, da OCDE, só 24% dos brasileiros de 25 a 34 anos têm ensino superior completo. A média dos países da organização é de 49%, mais que o dobro.
Nem precisa ir longe. Na América Latina, Peru (50%), Chile (41%) e Colômbia (35%) estão à nossa frente. No mestrado, a distância é maior: 1% dos jovens brasileiros, contra 16% na média da OCDE.
O dado que mais me incomoda, porém, é outro. Por aqui, só 49% de quem entra na graduação chega ao diploma, contra 70% na média internacional. Ou seja: o gargalo não é só entrar. É ficar.
Sei que design não substitui política pública, financiamento estudantil ou formação de professores. Mas permanência tem muito a ver com vínculo. Entre os motivos de evasão no EAD apontados por análises do Mapa do Ensino Superior, aparecem a desconexão com a instituição e a dificuldade de manter o ritmo de estudo online. Isso é marca, é comunicação e é experiência de uso. É exatamente o que a gente faz.

Por que essa escolha é intencional

Escolher um foco também é escolher o que deixar de fazer. Não chegamos na educação por falta de opção, e sim por três motivos bem concretos.
1. O que a educação precisa é o que a gente já faz junto. Poucas agências conseguem cuidar da campanha de matrícula, da marca e da produção do EAD ao mesmo tempo. Na BaseDG, branding, marketing, UX e EAD sempre estiveram na mesma mesa. Para uma instituição de ensino, isso significa coerência: a promessa da campanha é a mesma que o aluno encontra na plataforma.
2. O momento pede. O novo marco do EAD, a concentração do mercado e a evasão recorde colocam as instituições independentes diante de uma escolha: se diferenciar agora ou competir só por desconto. Quem redesenhar a oferta, a marca e a experiência nos próximos dois anos sai na frente.
3. É pessoal. Eu vejo, como professor, o que acontece quando o aluno se sente parte de algo e quando ele se sente sozinho diante de uma plataforma ruim. Essa diferença decide quem fica e quem desiste.

O propósito por trás disso

Quando falo em tornar a educação mais acessível e mais eficiente, não é frase de efeito.
Acessível é o aluno que não desiste porque não achou a aula no portal. É a família que entende o que a escola entrega antes de olhar só o preço. É o trabalhador que consegue estudar pelo celular, no intervalo do turno.
Eficiente é a instituição que para de queimar margem com desconto para preencher turma. É o professor que não perde horas com processos que um bom sistema resolveria. É o investimento em marketing medido em matrícula, e não em curtida.
Na prática, vamos trabalhar com faculdades e centros universitários independentes, escolas particulares de educação básica e instituições de educação profissional e corporativa. O trabalho vai da captação alinhada ao calendário acadêmico ao reposicionamento de marca, do redesenho do EAD para o semipresencial ao UX de portais do aluno e apps de comunicação escola-família.
E seguimos atendendo a indústria, onde a mesma lógica aparece na educação corporativa: treinar bem as pessoas também é educação.

Vamos conversar sobre educação

A educação brasileira não está atrasada por falta de gente boa. Está atrasada porque, por muito tempo, marca, marketing e tecnologia foram tratados como acessórios, e não como parte da experiência de aprender.
A gente acredita no contrário. E decidiu colocar a BaseDG inteira nessa direção.
Se você é mantenedor, diretor, coordenador de captação ou de EAD e se reconheceu em algum ponto deste texto, quero ouvir o seu cenário. Sem proposta pronta: primeiro a gente entende o momento da sua instituição.
Daniel
Fundador da BaseDG, designer e professor
Você em foco.
Daniel Santos

Daniel Santos é Desenhista Industrial, Especialista em Branding, Marketing e User Experience.

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